segunda-feira, 8 de agosto de 2022

[PB92] Se o planeta é um todo sistêmico, uma filosofia das “ciências da terra” será um sistema de múltiplas filosofias das ciências?

XII Encuentro de Filosofía e Historia de la Ciencia del Cono Sur

[01-05 Ago. 2022, Universidad del Valle, Cali, Colombia, Anais, p. 16]
REFLEXÃO ACERCA DA RELAÇÃO ENTRE A NATUREZA INTERATIVA DE CERTAS ORDENS DE FENÔMENOS (DIMENSÃO ONTOLÓGICA) E OS CAMPOS METACIENTÍFICOS QUE SE DEBRUÇAM SOBRE CADA UMA DESTAS ORDENS (DIMENSÃO EPISTEMOLÓGICA).
[“(...) se 'geociências' incorporaram em suas explanações princípios que explicam dinâmicas litológicas, atmosféricas e hidrológicas; e se 'ecologia' esses mesmos princípios precisa aportar a fim de melhor descrever relações de interdependência entre meio físico e estruturas vivas; parece evidente que um campo ainda mais especializado, como 'geografia humana' p.ex. (que dos fatores anteriores se vale para explicar formas de ocupação humana do espaço) naturalmente indica um terceiro nível de complexidade.” (16).]
LINK: http://www.afhic.com/es/encuentro-afhic/

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

[PB91] “Guerras da Ciência” e postura anticientífica em geografia

Boletim Alfenense de Geografia (Alfenas/MG)

[volume 1, número 1, p. 57-79, 2021 - primeiro autor: Neandher da S. P. Galvão, Mestrando/UnB]
É APRESENTADO O FAMOSO CASO DAS "SCIENCE WARS", DISPUTA ENTRE PRATICANTES E ANALISTAS DA CIÊNCIA EM TORNO DE QUEM DETÉM MAIOR CREDIBILIDADE PARA EXPLICAR O QUE CARACTERIZA O TRABALHO CIENTÍFICO. UMA DAS RUSGAS CONSISTIU EM QUE IMPORTÂNCIA ATRIBUIR AOS FATORES SOCIOCULTURAIS, ECONÔMICOS E POLÍTICOS NA DETERMINAÇÃO DO QUE OCORRE NO UNIVERSO DA CIÊNCIA - QUANDO, ENTÃO, UM ANTAGONISMO SE MANIFESTOU: MINIMIZAÇÃO VERSUS SUSTENTAÇÃO DOS PROTOCOLOS RACIONAIS DA MODERNIDADE. O TEXTO PROCURA EXPLORAR O QUE PODERIA SER UMA PROJEÇÃO DESTA DISPUTA NO ÂMBITO DA CIÊNCIA GEOGRÁFICA, TOMADO COMO CASO ILUSTRATIVO PARTE DO PENSAMENTO DE DAVID HARVEY.
[extrato: “É possível estabelecer uma nomenclatura para esses grupos mais céticos quanto à ciência? Como vimos antes, Gross e Levitt (1998) se referem a eles como 'Esquerda Acadêmica', o que certamente englobaria não apenas os pós-modernos, mas inclusive escolas marxistas. Essa abertura, por sinal, nos favoreceria inserir David Harvey na arena de discussão. Porém, não seria prudente, menos ainda conveniente, uma vez que a medida poderia alimentar ideólogos do 'outro lado' do espectro político – haja vista o caso Sokal e sua 'armadilha'. Porque escândalos como o Sokal’s Hoax foram usados por ideólogos oportunistas (como o famigerado Olavo de Carvalho), que quiseram elogiar como uma 'proeza' o feito de 'mostrar a inépcia intelectual da esquerda acadêmica' (CARVALHO apud ÁVILA, 2013, p. 16). Portanto, é necessário um termo que seja mais temperado, e que, por isso, englobe mais do que meramente um alinhamento político.” (71)]

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

[PB90] Cartografia e modelagem: mapas como modelos da ciência geográfica

XII Principia International Symposium

[02-05 Ago. 2021, UFSC, Anais, p. 37-38]
APRESENTAÇÃO DO CASO "PRODUÇÃO DE MAPAS" (EM MÚLTIPLOS CONTEXTOS) COMO SENDO ILUSTRATIVO DE UMA PRÁTICA DE MODELAGEM. O MAPA SERIA, POR EXCELÊNCIA, UM MODELO DA GEOGRAFIA - E INDICARIAM ISSO SUAS CARACTERÍSTICAS "REPRESENTACIONAL", "PERSPECTIVA" E "PROVISÓRIA". ADEMAIS, A EXEMPLO DE OUTROS ARTEFATOS CIENTÍFICOS, ELE DETERIA UM SENTIDO LÓGICO/INTERNALISTA (NORMAS SEMIOLÓGICAS DE CONFECÇÃO) E UM SENTIDO SOCIOLÓGICO/EXTERNALISTA (VEICULAÇÃO DE IMAGINÁRIOS ANCORADOS EM CONTEXTO).
[extrato: “(...) há sempre em jogo a operação de um intelecto que, simultaneamente, (i) reconhece a
existência de um 'objeto', (ii) estabelece um modo de 'tradução' de algumas de suas propriedades e (iii) informa ou condicionada um certo campo possível de 'significados'. Esses seriam os aspectos lógico-cognitivos subjacentes à prática da cartografia (...).” (p. 37)]
Link: https://principia.ufsc.br/wp-content/uploads/2021/08/12th-principia-abstracts.pdf

segunda-feira, 26 de julho de 2021

[PB89] Onde o físico encontra o humano: proposição de um programa de pesquisa multidimensional para uma geografia da música baseada em ruído

 Punto Sur (Buenos Aires/Ar)

[número 4, p. 239-266, Ene./Jun. 2021 - primeira autora: Nina Puglia Oliveira, Doutoranda/UnB]
NO ARTIGO APRESENTAMOS A IDEIA SUBJACENTE DE QUE OS FENÔMENOS CULTURAL, ORGÂNICO E FÍSICO, POR SE DESENVOLVEREM SEGUNDO UMA ONTOLOGIA DA “EMERGÊNCIA”, DETÊM UM PROVÁVEL PODER DE INSTRUIR (EM CONFORMIDADE COM OS SABERES CONSTITUÍDOS NOS CAMPOS CIENTÍFICOS ESPECIALIZADOS) OS ESTUDOS A RESPEITO DE OBJETOS CUJA IDENTIDADE PAREÇA ENVOLVER UMA CONFLUÊNCIA DE FENÔMENOS DE ORDENS DIVERSAS. O CASO EXPLORADO É O DOS ESTUDOS SOBRE MÚSICA, QUE SUGERIMOS PRECISAREM ENVOLVER NECESSARIAMENTE UMA BASE FÍSICO-FISIOLÓGICA, MAS SEM QUE O ASPECTO (TAMBÉM) SOCIOCULTURAL DO OBJETO PRECISE SER COMPREENDIDO SEGUNDO UMA VISÃO DE REDUCIONISMO AO MUNDO MATERIAL.
[extrato: "[...] uma geografia da música (GM) pode ser tratada como uma emergência complexa a partir de uma geografia do ruído (GR), e que apenas vem à tona graças às existências precípuas do mundo físico (onde se encontram materiais e princípios de movimento, recursos naturais, dinâmicas de fluxo etc.) e do mundo vivo (sistemas biológicos cognitivamente qualificados)." (262)]
Link: http://revistascientificas.filo.uba.ar/index.php/RPS/article/view/10410/9109

segunda-feira, 10 de maio de 2021

[PB88] Geografia, essa estranha (des)conhecida: feitos e potencialidades da ciência geográfica no âmbito da epistemologia

Filosofía e historia de la ciencia y sociedad en Latinoamérica: volumen II: a filosofia das ciências sociais na América do Sul / ciencia, género(s) y feminismo(s) (Org.: Claudio Abreu; Federico Bernabé; Sandra Caponi; Alberto Oliva)

[Buenos Aires: AFHIC, 2021. 237p. (p. 42-65)]

CAPÍTULO QUE APRESENTA À COMUNIDADE DE PESQUISADORES LATINO-AMERICANOS EM HISTÓRIA E FILOSOFIA DAS CIÊNCIAS O CASO POUCO DIFUNDIDO DOS ESTUDOS EM HISTORIOGRAFIA E EPISTEMOLOGIA DA GEOGRAFIA. ISSO É FEITO A PARTIR DE TRÊS ÂNGULOS DE ABORDAGEM: UMA NARRATIVA QUE SUMARIA A TRAJETÓRIA EVOLUTIVA DA CIÊNCIA GEOGRÁFICA; UM PANORAMA DAS PESQUISAS FILOSÓFICAS SOBRE A NATUREZA DA DISCIPLINA; E A PROPOSIÇÃO DE UM MODELO DE ABORDAGEM METACIENTÍFICA QUE SE CARACTERIZARIA PELA GEOGRAFICIDADE DA PERSPECTIVA ANALÍTICA.
[extrato: "[...] aspectos outros, inerentes à análise espacial, poderiam ascender aos estudos de segunda ordem; sofisticando um pouco mais as abordagens geográficas da Epistemologia. Nos referimos, em particular, a estudos de dinâmica regional que mesclam insights geofísicos e fitológicos – quando, então, dois ângulos de análise passariam a prefigurar como fecundos: um, que poria em destaque a ideia de epicentro (fenômeno que, uma vez eclodido, desencadeia dinâmica de reverberações sucessivas); e outro, que chamaria a atenção para as características de uma das etapas da evolução irrompida (o período fértil do epicentro)." (p. 60)]
LINK: http://www.afhic.com/wp-content/uploads/2021/05/AFHIC_VolumenII.pdf

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

[PB87] Filosofia da ciência e geografia física

Humboldt: Revista de Geografia Física e Meio Ambiente (UERJ)

[volume 1, número 2, p. 1-43, Jan./Jun. 2021]
A PARTIR DE UMA DIFERENCIAÇÃO ENTRE O QUE SERIAM AS ATRIBUIÇÕES DA FILOSOFIA E DA FILOSOFIA DA CIÊNCIA (FC), DEMONSTRAMOS O POTENCIAL AUXÍLIO QUE A CONSAGRADA LITERATURA EM "FC" PODE DAR A UM EXAME TEÓRICO SOBRE OS ESQUEMAS DE REPRESENTAÇÃO E DE INTERVENÇÃO NA GEOGRAFIA FÍSICA (GF) - UM EXAME QUE SERIA, DE FATO, "EPISTEMOLÓGICO". PARA ISSO, SELECIONAMOS ALGUNS DOS AUTORES MAIS RELEVANTES DA "FC" POSTERIOR À SUA FASE NEOPOSITIVISTA; E SUGERIMOS EXEMPLOS DE ESTUDO EM QUE A LEITURA QUE ELES PROPÕEM TERIA UMA INTERESSANTE APLICABILIDADE NA "GF".
[extrato: “(...) estudos de Filosofia 'da Geografia' não serão nunca equivalentes a estudos de Filosofia da Ciência 'aplicada à Geografia'. Entre os primeiros podem se inserir indagações de pretensão essencialista, como a de nos perguntarmos sobre a natureza do espaço geográfico ou sobre a condição existencial do sujeito neste espaço. Já entre os segundos – bem mais apropriados a aclarar as rotinas práticas de produção de conhecimento 'científico' (isto é, útil, aproximado e contrastável) –, indagações centradas nos fatores que viabilizam e condicionam essa produção: os aspectos lógico-cognitivos (consistência das estruturas teóricas que representam fenômenos, adequação dos artefatos técnicos para a captura e o tratamento da informação etc.) e sociológico-contextuais (demandas de época, instituições promotoras, redes de cooperação etc.). Em terceiro lugar, o fato dos pesquisadores lidarem com fenômenos de naturezas distintas quando praticam GF e geografia humana, não implica que as perspectivas filosóficas a serem utilizadas (ou identificadas) tenham de ser, fatalmente, de naturezas também distintas. O geógrafo humano (especialmente se alinhado à teoria social crítica) lida com processos que podem envolver o que entenderá ser a manifestação de injustiça, segregação, perversidade; então ele, 'naturalmente', é atraído a se valer de autores de linhagem continental. Ao passo que o geógrafo físico, por lidar com dinâmicas sobretudo naturalistas (balanços de energia, transportes de matéria, colapsos e reequilíbrios), seria o que, 'previsivelmente', deveria se servir de autores que se dedicaram a pensar as ciências físicas. Bem, o grande erro aqui está em ignorar que, se o objetivo é o de precisamente proceder a uma investigação epistemológica, há uma especial família de autores especialistas a ser consultada; e que essa fonte filosófica (ainda que mormente constituída de examinadores de ciências exatas e empíricas) tem valor instrutivo transdisciplinar.” (5, grifo nosso)]
Link: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/humboldt/article/view/57372/36817

sábado, 5 de dezembro de 2020

[PB86] Retórica retrocessiva contra a ciência progressista: antirracionalismo, maffesolismo e discursos obscurantistas decorrentes

XVII Seminário Nacional de História da Ciência e da Tecnologia

[23-27 Nov. 2020, UNIRIO, Rio de Janeiro, Anais, 15f.]
SUSTENTAMOS QUE OS ATUAIS MOVIMENTOS QUE QUESTIONAM OS VALORES TÉCNICOS E COGNITIVOS DA CIÊNCIA ENCONTRAM CORRESPONDENTES BASTANTE PRETÉRITOS - EPISÓDIOS QUE TAMBÉM JÁ TERIAM PROPOSTO OU QUE ELA É UM TIPO DE CONHECIMENTO "PREPOTENTE", OU QUE OUTRAS FORMAS DE CONHECIMENTO (QUE ELA SUPOSTAMENTE QUERERIA SEGREGAR) SÃO "MAIS NOBRES". ADEMAIS, AFIRMAMOS QUE OS MOVIMENTOS, CURIOSAMENTE, APESAR DE ENCERRAREM TIPOS DE COLETIVOS HETEROGÊNEOS (ALGUNS MUITO PRECÁRIOS INTELECTUALMENTE, OUTROS ATÉ COMPOSTOS POR AUTORES MUITO ERUDITOS), TÊM UM PROJETO EM COMUM: DENEGRIR OS FEITOS DA CIÊNCIA ... POR EXEMPLO, INSISTINDO EM QUE ELA, FATALMENTE, SERVIRIA A INTERESSES IDEOLÓGICOS E/OU A REGIMES POLÍTICOS. PROPOMOS QUE UMA VIA ÚTIL PARA DEMONSTRAR A FRAGILIDADE DE SUA RETÓRICA SERIA APLICAR O "PADRÃO DE ARGUMENTO" DE STEPHEN TOULMIN - PELO QUAL PODERÍAMOS DIZER: A AUSÊNCIA DE CERTOS COMPONENTES QUE SÃO CHAVE PARA DEFINIR BEM A ESTRUTURA LÓGICA DOS ARGUMENTOS (O "QUALIFIER" E O "REBUTTAL", EM ESPECIAL) FRAGILIZAM A CADEIA DE RACIOCÍNIO EM QUESTÃO, NÃO TENDO COMO BLINDA-LA A RETÓRICAS ARDILOSAMENTE PERSUASIVAS.
[extrato: “Personagem que dá nome ao adjetivo 'maffesolista', o sociólogo Michel Maffesoli está bem posicionado no círculo dos que viram na empresa de produção de textos engajados, uma via para inscrever seu nome na dianteira dos que pretendem ser citados por sua erudição lúcida e sensível. Na mira: deslizes da modernidade. O modo retórico de se posicionar: dizer-se minoritário na contracorrente. Cultuado além-França, é sagaz em mobilizar jovens corações e incutir em seus espíritos vulneráveis a doutrina heroica de uma caça incansável a um mostro imbatível.” (p. 9)]
Link: https://www.17snhct.sbhc.org.br/download/download?ID_DOWNLOAD=132